Nesse sábado teve em minha cidade a primeira feira municipal de saúde de Nova Andradina, a cidade onde eu moro, e eu como medica responsável pelo programa de hanseníase fui convidada a participar para esclarecer as duvidas e fazer teste rápido para detecção da doença.

A hanseníase, também conhecida como lepra, é  uma doença crônica, infectocontagiosa. A doença tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, no en­tanto poucos adoecem.

A transmissão do M. leprae (que é o bacilo responsável pela hanseníase) se dá através de contato íntimo e contínuo com o doente não tratado. Apesar de ser uma doença da pele, é transmitida através de gotículas que saem do nariz, ou através da saliva do paciente. Não há transmissão pelo contato com a pele do paciente.

A hanseníase acomete primeiro a pele e os nervos periféricos, e pode atingir também os olhos e os tecidos do interior do nariz. O primeiro e principal sintoma são o aparecimento de manchas de cor parda, ou eritematosas, que são pouco visíveis e com limites imprecisos.

Os demais sintomas da hanseníase incluem:

  • Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade;
  •  Área de pele seca e com falta de suor;
  • Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;
  • Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade;
  • Sensação de formigamento (Parestesias) ou diminuição da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato. A pessoa se queima ou machuca sem perceber.
  • Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés.
  • Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.
  • Úlceras de pernas e pés.
  • Nódulo (caroços) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
  • Febre, edemas e dor nas juntas.
  • Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
  • Ressecamento nos olhos;
  • Mal estar geral, emagrecimento;
  • Locais com maior predisposição para o surgimento das manchas: mãos, pés, face, costas, nádegas e pernas

Importante: Em alguns casos, a hanseníase pode ocorrer sem manchas.

Existem 4 tipos de hanseníase sendo cada uma com uma particularidade que talvez só um dermatologista seja capaz de diferenciar.

Hanseníase indeterminada

Estágio inicial da doença e muito comum em crianças. Quando começa nesse estágio, apenas 25% dos casos evoluem para outras formas.

Hanseníase Tuberculóide

Forma mais leve da doença. A pessoa tem apenas uma ou poucas manchas pálidas na pele. Ocorre quando a patologia é com poucos bacilos, ou seja, não contagiosa. Alterações nos nervos próximos à lesão, podem causar dor, fraqueza e atrofia muscular.

Hanseníase Borderline

Forma intermediária da doença. Há mais manchas na pele e cobrindo áreas mais extensas, em alguns casos é difícil precisar onde começa e onde termina.

Hanseníase Virchowiana

Forma grave da doença, com muitos bacilos, e contagiosa. Os inchaços são generalizados e há erupções cutâneas, dormência e fraqueza muscular. Nariz, rins e órgãos reprodutivos masculinos também podem ser afetados. Essa é a forma clássica da doença.

O diagnóstico da hanseníase é basicamente clínico, baseado nos sinais e sintomas detectados no exame de toda a pele, olhos, palpação dos nervos, avaliação da sensibilidade superficial e da força muscular dos membros superiores e inferiores. Em raros casos será necessário solicitar exames complementares para confirmação diagnóstica.

O Tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Antibióticos são usados para tratar as infecções, mas o tratamento completo é em longo prazo. Nas formas mais brandas (paucibacilar) demora em torno de seis meses, já nas formas mais graves (multibacilar) o tempo é de um ano ou mais. Há alguns medicamentos específicos e combinações que são prescritas pelo médico. Alguns não podem ser tomados por grávidas, por isso avise o médico em caso de gravidez. É fundamental seguir o tratamento, pois é eficaz e permite a cura da doença, caso não seja interrompido. A primeira dose do medicamento já garante que a hanseníase não será transmitida. Lembrando que dependendo das lesões que você tem na pele e nos nervos, o tratamento não faz melhorar, ficando para o resto da vida, isso é chamamos de sequelas da Hansen.

Aqui embaixo tem um questionário que fizemos para os pacientes, se você fizer e sua resposta for positiva para 5 ou mais perguntas, vá a um dermatologista ou a um clinico geral para uma melhor avaliação

Beijos Flávia

Pitiriase Alba

          Varias mães chegam ao meu consultório desesperadas quando aparece em seu filho uma mancha branca e ai quado eu falo que é uma pitiriase alba todas fazem cara de hã?!?.
          Hoje vou falar um pouquinho dessa afecção de pele que afeta mais crianças e adolescentes e deixam as mães de cabelo em pé.
          Pitiríase alba é uma infecção cutânea geralmente afeta crianças e adultos jovens e é caracterizada por manchas hipopigmentadas, isso quer dizer brancas, oval, com escamação geralmente no rosto, pescoço ou ombros.







          

           As causas desta doença são ainda desconhecidas. No entanto o surgimento deste tipo de pitiríase está associado com a exposição excessiva a luz solar, banhos quentes prolongados e uso de sabonetes que ressecam a pele, especialmente no inverno. 
          O tratamento é simples, feito basicamente com a hidratação intensa da pele e local, com modificações de hábitos diários como temperatura de banho, troca de sabonete. Já o desaparecimento das manchas pode demorar um pouco para desaparecer

Hipomelanose macular progressiva, hipomelanose dorsal idiopática ou hipomelanose dos mestiços.
É uma afecção da pele que provoca manchas claras nas partes centrais do tronco, geralmente os médicos mais desavisados tratam como se fosse pitiriase versicolor (pano branco), e com certeza a pessoa que tratou não vê resultado. A maioria das vezes afeta adolescentes e adultos jovens, principalmente do sexo feminino. Pode ocorrer em todas as raças, mas é mais comum em pessoas com pele mais escuras, de morena clara para negra.
A causa ainda é indefinida, mas parece que o micro-organismo Propionibacterium acnes (que é a mesmo micro-organismo responsável pela acne (espinhas)) teria participação no surgimento das manchas, interferindo na produção da melanina, que é a que da a cor na nossa pele.
A doença se caracteriza pelo surgimento de hipopigmentação no tronco, afetando principalmente as regiões centrais, mais comumente no dorso do tórax e região lombar.


Forma manchas arredondadas ou ovalares, que vão aumentando de tamanho e juntam para formar grandes áreas claras, principalmente na área próxima à coluna vertebral.


As lesões são assintomáticas e não apresentam descamação, ao contrario do pano branco que ao passar a unha geralmente descama.
O uso de antibiótico específico para a bactéria (geralmente o mesmo usado na acne, seja o antibiótico oral ou tópico), durante 3 meses, que mostraram bons resultados, com a repigmentação da pele dos pacientes que completaram o tratamento.
A fototerapia com luz ultravioleta natural ou artificial também é uma opção terapêutica, mas não existe ainda um tratamento que elimine a doença definitivamente, impedindo que as manchas retornem.

Será que é pano branco?

Pitiríase versicolor ou o famoso pano branco é muito comum nessa época, pois com o calor nossa pele tende a ficar muito úmida e mais oleosa e é o habitat perfeito para esse fungo, que na maioria dos casos é chamada de micose de praia, mas, ao contrário do que se pensa, não é adquirida na praia ou piscina.
Geralmente a pessoa acha que foi pego na praia, na piscina ou em rios e balneários por que onde há uma proliferação do fungo, a pele não pigmenta então é comum após uma exposição ao sol as manchas aparecerem.
Mas exatamente o que é a Pitiríase versicolor?
É uma doença se manifesta formando manchas claras, acastanhadas ou avermelhadas que se iniciam pequenas e podem se unir formando manchas maiores. 
Além disso, a epiderme das zonas afetadas, quando tracionada descama-se com muita facilidade e, por vezes, as manchas provocam ardor ou coceira.
 
A característica que mais evidencia a doença é a alteração, com o passar do tempo, da cor das manchas, o que justifica o fato de a doença denominar-se “versicolor”.

Na ausência de tratamento, o problema mantém-se indefinidamente, embora em muitos períodos, sobretudo no Inverno, não se detecte a sua presença, já que a pele normal fica igualmente menos pigmentada do que no Verão.
Tratamento
Há que tratar a pele e o couro cabeludo, e a pele. Geralmente associando um shampoo com um antimicóticos tópico ou oral dependendo da extensão da micose.
A Pitiríase versicolor por ser causada por um fungo que habita normalmente a pele, é possível a micose voltar a aparecer, mesmo após um tratamento bem sucedido.  Em algumas pessoas, a Pitiríase versicolor pode ocorrer de forma recidivante, quer dizer que pode aparecer repetitivamente, voltando a crescer logo após o tratamento. Estes casos exigem cuidados especiais para a prevenção do retorno da doença.
              
              Pitiríase rósea tem causa desconhecida. O maior número de casos ocorre durante o outono e inverno, fato que sugere uma relação da doença com alguma virose, hipótese ainda não confirmada. A doença tem cura espontânea em um período de 2 a 4 meses e não é contagiosa.
            Na maior parte dos casos o diagnóstico clínico é simples e automático para o Dermatologista experiente; aparece uma placa inicial oval, bem delimitada, de 2-4cm de tamanho, com um colarete escamoso característico. É a chamada “mancha mãe”. Em poucos dias ou semanas, lesões de aparência semelhante, porém menores, aparecem ao redor da lesão inicial, localizam-se predominantemente no tronco e membros superiores, mas em raras ocasiões podem estender-se aos membros inferiores e mesmo face.
            A ausência de sintomas é a regra, mas existem exceções. Geralmente quando há sintomas este é a coceira nas lesões, que pode ser leve à severa.
            O diagnóstico clínico é bem sugestivo pelo aparecimento da lesão precursora, seguimento das outras lesões em aparência e tempo característicos, assintomáticas em geral.
            Muitas vezes é necessário exame de sangue para excluir outras doenças com quadro clínico ou até biópsia da lesão para descartar outras doenças – principalmente quando a evolução for mais prolongada ou com lesões atípicas.
            A doença tem cura espontânea em um período de 2 a 4 meses e não é contagiosa e não deixa cicatrizes, necessitando orientações apenas. Para alguns pacientes, é necessário medidas de alívio da coceira e hidratação da pele. Reaparecimento da doença é raro, mas pode ocorrer.